
Trumbo
Por Lexy SoaresAtualizado em 3 min de leitura
Publicado originalmente em 19 de fevereiro de 2016 no Arte Com Pipoca.
Sinopse
No fim dos anos 1940, Dalton Trumbo, um dos roteiristas mais bem pagos de Hollywood, é preso e colocado na lista negra por suas convicções políticas. Impedido de assinar o próprio trabalho, passa a escrever sob pseudônimos e a organizar uma rede de colegas banidos, enquanto a perseguição cobra um preço alto de sua família.
Em tempos de paranoia anticomunista que vivemos atualmente, um filme que conta a história de um roteirista de cinema perseguido por ser comunista soa mais que atual. Com a diferença que a história começa nos anos 40, nos EUA. Trata-se de Trumbo, cinebiografia de Dalton Trumbo, roteirista de grandes filmes, como “Spartacus”, de Stanley Kubrick, entre outros, e que figurou na lista negra da caça às bruxas comunista, sendo um dos integrantes do chamado “Os Dez de Hollywood”, um grupo de roteiristas renegados pela indústria cinematográfica americana, devido ao envolvimento com o Partido Comunista.
O filme é uma cinebiografia agradável, e completa na forma de contar toda a história de Trumbo, em uma magistral interpretação de Brian Cranston (o Walter White de Breaking Bad). Já começa na época em que o congresso americano estava criando suas comissões pra investigar “ações antiamericanas”, e como a indústria do cinema lidava com isso, com vários artistas denunciando amigos apenas para se salvarem. Trumbo, que realmente foi filiado ao Partido, acabou preso por 11 meses, acusado de desobediência civil perante o Congresso. Após sua liberdade, ele tentava conseguir trabalho, mas, assim como muitos de seus amigos, não era bem visto pelo meio, já que alguns filmes eram cancelados apenas por ter suspeitas de envolvimento de “comunistas” na produção. Ele passou anos trabalhando pra produções “B”, usando pseudônimos, até que alguns cineastas tivessem a coragem de permitir que seu nome voltasse aos créditos de um longa metragem.
Nesse aspecto, o de contar sua história, o filme é bastante competente, sabendo narrar os acontecimentos de muitos anos sem ser pedante, ou soar didático ou documental. O espectador não se perde em momento algum entre tantos acontecimentos. Mas talvez essa opção tenha pesado na hora de mostrar o lado emocional do personagem. Aparentemente, não há muitas camadas de emoção na figura de Trumbo. Se não fosse a atuação de Cranston, sempre intensa, não teríamos muito com o que nos apegarmos a ele. Ou talvez a proposta do longa seja mostrá-lo como um “workaholic”, como mostra uma cena em que ele deixa de comparecer à pequena comemoração do aniversário de uma filha por estar escrevendo. Neste caso, mais um ponto para Cranston, pois seu Trumbo não é um obcecado típico, mas sim um homem obstinado e sempre no controle de suas ações.
O filme também não faz um grande julgamento sobre a “Caça às Bruxas”, mas mostra sutis críticas a ela, em pequenas cenas chave durante toda a projeção. Chega a ser emocionante o discurso de Trumbo após poder voltar ao trabalho. Um filme que não faz uma crítica dura, mas também não se omite. Uma boa pedida, que merece ser conhecida, nem que seja apenas pra conhecer a história de um dos grandes roteiristas de todos os tempos.
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Ficha técnica
- Título original
- Trumbo
- Ano
- 2015
- Direção
- Jay Roach
- Roteiro
- John McNamara
- Elenco
- Bryan Cranston, Diane Lane, Helen Mirren, Louis C.K., Elle Fanning, John Goodman
- Gênero
- Drama
- Duração
- 2h 4min
- País
- Estados Unidos
Prêmios
- Indicação ao Oscar de Melhor Ator (Bryan Cranston)
Onde assistir
Curiosidades
- Trumbo ganhou dois Oscars de roteiro enquanto estava banido: em 1954, por "A Princesa e o Plebeu", assinado pelo amigo Ian McLellan Hunter, e em 1957 por "Arenas Sangrentas", creditado a um desconhecido "Robert Rich".
- A Academia só entregou a estatueta de "Arenas Sangrentas" ao verdadeiro autor em 1975, pouco antes de sua morte; a de "A Princesa e o Plebeu" veio em 1993, 16 anos depois de ele morrer.
- O filme recria figuras reais da velha Hollywood dos dois lados da disputa: a colunista Hedda Hopper e John Wayne contra os comunistas, e o diretor Otto Preminger e o ator Kirk Douglas ajudando Trumbo.
Fontes: Cinema com Rapadura, IMDb, AdoroCinema
