
Sr. Holmes
Por Lexy SoaresAtualizado em 3 min de leitura
Publicado originalmente em 17 de dezembro de 2015 no Arte Com Pipoca.
Sinopse
Em 1947, aos 93 anos, Sherlock Holmes vive aposentado no interior da Inglaterra, cuidando de abelhas ao lado da governanta e do filho dela. Com a memória falhando, ele tenta reconstruir o último caso da carreira, aquele que o fez abandonar a profissão e que nunca foi contado como realmente aconteceu.
E se Sherlock Holmes realmente tivesse existido? Essa premissa não é nova, mas com certeza originou um dos melhores filmes do ano, “Sr. Holmes”, dirigido por Bill Condon. O filme se passa em 1947, com um Holmes de 93 anos, aposentado e doente, vivendo em uma casa de campo com uma governanta e seu filho. Com problemas de memória devido à idade e à sua doença (que, embora não seja mencionada, aparenta ser Alzheimer), ele tenta se lembrar de seu último caso, que resultou na morte de uma mulher e que o levou a se aposentar. Ao mesmo tempo, ele começa uma amizade com o filho da governanta, o que faz o filme parecer que será uma história do tipo “mestre e aprendiz”.
Nas suas lembranças, Holmes não consegue lembrar de detalhes de seu último caso. Lembra-se apenas que não aconteceu exatamente como Watson escreveu. Parece que esse caso continua sem solução, e as novas pistas ligam-se com um amigo que ele conheceu no Japão. É como se o filme costurasse essas histórias para falar sobre a memória, e a velhice. E o faz de forma muito competente.
Engana-se quem esperar por um filme de mistério. Mesmo tendo o maior detetive de todos os tempos como protagonista, o filme não é um suspense. Mesmo assim, a história não resolvida do seu último caso é tratada como os contos do personagem, com a busca por sua resolução permeando a trama, embora não seja o mote principal. Aliás, é difícil dizer qual seria o principal foco da trama, devido tanto à forma como todas elas estão amarradas, quanto ao fato de que em todas somos sempre lembrados de que estamos vendo as histórias contadas pelas memórias falhas de um idoso. Isso dá ao filme a unidade que ele precisa pra que não se perca.
Me peguei pensando em “Morangos Silvestres”, do Bergman, em alguns momentos. Não que tenha um estilo parecido, mas o tema, do velho que guarda ressentimentos do convívio com as pessoas que foram próximas. Mas ao mesmo tempo que isso tudo é o grande diferencial do filme, por outro lado o resultado é um drama “lugar comum”. Não há nada inovador a esse gênero de história. O chamariz acaba sendo o fato de ter Sherlock como personagem.
Para os fãs do personagem (principalmente quem tiver lido vários de seus contos) vão reconhecer várias citações a aventuras do personagem. E feitas de um modo que não fica com cara de “fan-service”, mas tratado com a naturalidade e “banalidade” que usamos ao mencionar fatos corriqueiros de nossa vida.
Quanto à desconstrução do personagem, esse é o ponto que pode dividir opiniões. Em grande parte, parece que o filme não se decide entre desmitificar o personagem da literatura dando-lhe características reais, ou seguir as características apresentadas nos livros. Isso tira um pouco da coerência do personagem, mesmo se tratando dos problemas de saúde que, como mencionado, afetam sua memória.
Mesmo com esses pequenos problemas, Sr. Holmes é um filme agradável. Se não surpreende nem tenta soar original, ao menos não faz feio em sua proposta de ser simples.
Compartilhe:
Ficha técnica
- Título original
- Mr. Holmes
- Ano
- 2015
- Direção
- Bill Condon
- Roteiro
- Jeffrey Hatcher
- Elenco
- Ian McKellen, Laura Linney, Milo Parker, Hiroyuki Sanada, Hattie Morahan, Patrick Kennedy
- Gênero
- Drama, Mistério, Crime
- Duração
- 1h 44min
- País
- Reino Unido, Estados Unidos, França
Onde assistir
Curiosidades
- O filme adapta o romance "A Slight Trick of the Mind", de Mitch Cullin, publicado em 2005.
- É o reencontro de Ian McKellen com o diretor Bill Condon, com quem havia feito "Deuses e Monstros" (1998).
- Em maio de 2015, os herdeiros de Arthur Conan Doyle entraram na Justiça contra o autor do livro e os produtores do filme, alegando uso não autorizado de histórias ainda protegidas por direitos autorais.
- Teve sua estreia mundial fora de competição no Festival de Berlim.
Fontes: AdoroCinema, Cinema10, Wikipédia (en), Cinecartaz (Público)
