
Kurt Cobain: Montage of Heck
Por Lexy SoaresAtualizado em 3 min de leitura
Publicado originalmente em 29 de julho de 2015 no Arte Com Pipoca.
Sinopse
Documentário que reconstrói a vida de Kurt Cobain, da infância em Aberdeen aos últimos meses, a partir do acervo pessoal guardado pela família: vídeos caseiros, fitas cassete, diários e desenhos nunca antes exibidos, combinados com depoimentos de parentes, amigos e companheiros de banda.
NIRVANA. Para muitos fãs de rock, a banda foi a maior e mais significativa dos anos 90. Quase os Beatles para a época. A banda que melhor soube cantar as ansiedades e emoções dos jovens da época. E, com o suicídio do vocalista Kurt Cobain em 1994, criou-se o mito. Mito que não deixa de fazer parte da vida dos admiradores, mesmo aqueles que nem eram vivos na época em que o grupo gravou seus discos.
Kurt Cobain – Montage of Heck é um dos documentários mais recentes sobre a vida do vocalista da banda. Contar a sua trajetória pode parecer “mais do mesmo”, pois quase todos os fatos da vida pública do líder do Nirvana já são de conhecimento dos fãs. Assim, o que teria de novo mais um documentário sobre ele? Pois este filme responde, na forma de vídeos raros e pessoais cedidos pelos familiares do músico, e que nunca haviam sido exibidos.
Imagens de Kurt ainda criança, brincando no quintal, ou em momentos à toa com a esposa Courtney Love e a filha Frances permeiam a obra. Assim, este filme ganha um ar especial, ao contar a carreira dele de outro ângulo. Mas sem soar óbvio. As imagens falam por si. E falam muito. Pra quem conhece a história “mitológica” de Cobain, ver este filme é como ser apresentado pela primeira vez a ele, e ver que por trás do rockstar existe um ser humano normal.
O filme possui uma estrutura tradicional, contando a história dele desde sua infância, até os momentos finais de sua vida. Mas podemos dividi-lo em três atos: antes da fama, a carreira com o Nirvana, e os “momentos família” nos meses antes de sua morte.
Na primeira parte, há os já citados vídeos de Kurt criança, brincando no quintal com os pais e fotos familiares entremeadas com depoimentos de pessoas ligadas a ele, como a mãe, uma irmã, amigos, a ex-namorada. Todos de certo modo parecem tentar entender como a pessoa que eles conheceram antes se tornaria o símbolo de uma geração. As inseguranças dele, os sonhos, tudo esmiuçado pelos depoimentos. Há várias passagens curiosas sobre a vida dele, algumas criadas através de uma interessante animação. É quando ficamos íntimos do músico, assim como as pessoas que dão depoimento.
A segunda parte já é onde a carreira com o Nirvana, e a fama mudaram a vida dele. Apesar de ser a história já conhecida, não há um momento que não pareça que estamos vendo redundâncias. Pelo contrário. Os depoimentos escolhidos tentam possuir o máximo de ineditismo. Muitas falas são sobre como Kurt lidava com a situação, e não apenas os fatos contados. Há também alguns vídeos de bastidores das viagens.
A terceira parte desmistifica o ídolo. Muito do material mostrado passa a ser o cotidiano do casal Cobain, ele e Courtney Love. Vemos o pai e marido se divertindo com coisas “tolas” do dia a dia dentro da casa.
Mas apesar dessa separação que fiz do documentário, há algo que permeia o filme todo, que é justamente a forma de mostrar que havia um ser humano comum como todos nós por trás da figura mítica que os fãs idolatram. Mas, sendo Kurt Cobain, a pessoa comum é que servia de inspiração para as suas letras. Talvez essa tenha sido a busca pessoal dele como artista. E essa é a visão que os amigos e familiares nos apresentam dele.
Um documentário íntimo e pessoal, que vai agradar a todo fã daquela que pode ter sido a última grande banda rebelde da história do rock.
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Ficha técnica

- Título original
- Kurt Cobain: Montage of Heck
- Ano
- 2015
- Direção
- Brett Morgen
- Roteiro
- Brett Morgen
- Elenco
- Chad Channing, Kurt Cobain, Dale Crover, Jason Everman, Dave Grohl, Courtney Love
- Gênero
- Documentário
- Duração
- 2h 12min
- País
- Estados Unidos
Onde assistir
Curiosidades
- O diretor Brett Morgen teve acesso irrestrito ao arquivo da família: cerca de 200 horas de gravações inéditas e mais de 4 mil páginas de anotações e desenhos.
- Courtney Love chegou a ser anunciada como produtora, mas se afastou: segundo Morgen, como ela seria um dos temas do filme, todos concordaram que não deveria ter controle editorial. A filha, Frances Bean Cobain, ficou como produtora executiva.
- Depois da estreia em Sundance, Frances abraçou o diretor e disse que ele tinha feito o filme que ela queria ver.
- Dave Grohl ficou de fora: estava ocupado com a série Sonic Highways, e quando ficou disponível Morgen já estava satisfeito com a montagem.
Fontes: AdoroCinema, Omelete, Pipoca Musical, Los Angeles Times (via PressReader)
