Arte Com Pipoca
Arte de divulgação de Street Fighter com lutadores do elenco em poses de combate, entre eles Ryu de bandana vermelha, Chun-Li de vestido azul e Ken de colete vermelho, sobre fundo vermelho e preto com respingos de tinta
Divulgação/Paramount Pictures

Crítica: Street Fighter (2026)

Por Vivian Duarte3 min de leitura

Escritora, roteirista e formada em Publicidade. Autora de livros de romance e suspense, atua na criação de roteiros, séries e quadrinhos, além de mediar oficinas de escrita e projetos culturais. Colaborou com o Arte Com Pipoca entre 2015 e 2026.

Nota: 8/10

Como roteirista e cinéfila, o meu veredito sobre o novo filme de Street Fighter é positivo, embora traga algumas ressalvas interessantes. O longa acerta em cheio na ambientação, no design de produção e na escolha do elenco, com atores que combinaram perfeitamente com a essência de seus personagens.

A escolha do ator para interpretar o icônico vilão M. Bison (David Dastmalchian) de início me deixou indecisa, mas ele se provou excelente em cena. Gostei muito do fato de o personagem não começar gigantesco ou imbatível; ele busca o poder para se tornar grande, o que dá uma camada interessante de evolução ao antagonista. Outro grande acerto estético foi a inserção de cenas animadas intercalando o live-action. Esse recurso trouxe um tom muito mais forte e visceral, resgatando elementos clássicos que costumamos ver nas séries de jogos e nos animes da franquia.

Para ser sincera, o roteiro não me incomodou. A sensação era a de estar assistindo a um videogame ganhando vida na tela, onde os personagens mudam de cenário e engajam em brigas a todo o momento — algo que pode parecer genérico para alguns, mas que funciona perfeitamente para dar aos fãs aquele gostinho de nostalgia. De fato, a palavra que define este filme é nostalgia. É impossível não sorrir ao ver figuras tão conhecidas ganhando faces humanas, com seus erros e acertos.

No entanto, entendo que a mudança na personalidade de Ryu (Andrew Koji) possa causar certo incômodo no público. São anos e anos tecendo o caráter virtuoso do personagem nos games, e vê-lo desvirtuado na tela para fins dramáticos é uma escolha complicada que sempre gera resistência na comunidade. Em contrapartida, Ken Masters (Noah Centineo) foi uma grata surpresa: o ator incorporou perfeitamente a energia daquelas subcelebridades impulsivas da MTV dos anos 90, funcionando como o contraponto ideal para a calmaria de Ryu. A parceria e a química entre os dois atores ficaram ótimas.

O roteiro também faz um trabalho interessante ao brincar com conceitos estabelecidos nos jogos e animes, desconstruindo um pouco a ideia de Ryu como o eterno “lobo solitário”. Além disso, o fato de outros personagens clássicos — como Guile (Cody Rhodes), Chun-Li (Callina Liang) e Vega (Orville Peck) — já se conhecerem de antemão mostra que este filme não foi feito para principiantes. Não há uma apresentação oficial ou detalhada de cada um deles; o longa confia totalmente na bagagem que o espectador traz de fora do cinema para preencher as lacunas e juntar as peças da narrativa.

Como ponto negativo, destaco o ritmo das lutas. Por se tratar de um filme baseado em um jogo de luta, espera-se combates mais longos e cadenciados, principalmente aqueles que definem as viradas dramáticas dos personagens. No entanto, as lutas foram rápidas demais. Ainda assim, visualmente elas estão bem maneiras, trazendo poses idênticas às dos jogos e muita fidelidade aos movimentos especiais.

Com uma cena pós-créditos promissora, há bastante conteúdo rico para ser adaptado no futuro e espero que continuem a franquia. No humor, o saldo é mediano: algumas piadas funcionam e fazem rir, outras nem tanto.

No fim das contas, Street Fighter é uma excelente pedida para os fãs que já conhecem e amam este universo. E para quem não pertence ao mundo dos games, mas gosta de um bom filme de ação improvável — repleto de superpoderes, movimentos fisicamente impossíveis e aquela deliciosa sensação de “a coluna dele deveria ter quebrado com esse golpe” —, é uma escolha muito divertida.

Foto de Vivian Duarte
Vivian Duarte

Escritora, roteirista e formada em Publicidade. Autora de livros de romance e suspense, atua na criação de roteiros, séries e quadrinhos, além de mediar oficinas de escrita e projetos culturais. Colaborou com o Arte Com Pipoca entre 2015 e 2026.

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Ficha técnica

Pôster de personagem de Street Fighter: Ryu, vivido por Andrew Koji, de bandana vermelha e luvas vermelhas cruzadas diante do peito, com o nome do ator e o título do filme
Divulgação/Paramount Pictures
Título original
Street Fighter
Ano
2026
Direção
Kitao Sakurai
Elenco
Andrew Koji, Noah Centineo, David Dastmalchian, Cody Rhodes, Callina Liang, Orville Peck
Gênero
Ação

Onde assistir

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