
Pânico (1996)
Por Senna Ricarte3 min de leitura
Desenvolvedor e especialista em SEO, é o fundador do Arte Com Pipoca e um nerd consumidor compulsivo de informação e cultura. Atua na internet desde 2010.
Nota: 7/10
Sinopse
Um ano depois do assassinato de sua mãe, a adolescente Sidney Prescott começa a ser perseguida por um assassino mascarado que usa um capuz preto e uma máscara branca inspirada no quadro 'O Grito', de Edvard Munch. O diferencial: esse assassino conhece as regras dos filmes de terror tão bem quanto as vítimas.
Havia uma época em que alugar um filme era uma aventura. Você entrava na videolocadora, olhava as capas, lia as sinopses no verso das caixas e apostava. Foi assim que eu cheguei pela primeira vez ao Pânico, em 1996, e a capa com o Ghostface já entregava uma promessa difícil de ignorar.
O que Pânico faz de diferente
O mérito maior de Wes Craven não foi inventar o slasher. Esse gênero já tinha Halloween, Sexta-Feira 13 e Nightmare on Elm Street. O mérito foi criar um filme que faz os personagens saberem que estão num filme de terror, e que usa esse conhecimento para brincar com o gênero enquanto ainda o pratica.
O roteiro de Kevin Williamson é inteligente da forma certa. Os personagens discutem as regras do slasher, sabem quais comportamentos levam à morte num filme de terror e mesmo assim cometem os mesmos erros, porque na vida real ninguém age com a frieza que a teoria exige. Essa é a piada central de Pânico, e ela funciona.
A abertura
O filme começa com uma cena que é, isoladamente, uma das melhores aberturas do cinema de terror dos anos 90. Drew Barrymore atende um telefonema, troca mensagens com um desconhecido, e o que começa como um flerte vai virando pesadelo em poucos minutos. Wes Craven a escalou exatamente porque o público não esperaria ver ela morrer logo no início — ela era o rosto de filmes românticos. O truque funciona: a cena ainda surpreende hoje.
Sidney Prescott
Neve Campbell faz uma boa escolha no papel de Sidney: uma protagonista que não é apenas vítima. Ela reage, improvisa e sobrevive porque é esperta, não apenas porque é a mocinha. Vale ressaltar que Sidney Prescott foi uma das primeiras final girls do slasher a ter uma personalidade construída além do papel de “sobrevivente”, e isso foi uma novidade real para o gênero em 1996.
A desconstrução do terror
O que mais me marcou em Pânico foi a desconstrução do gênero e as referências a outros filmes e séries de TV. O filme cita Halloween, Psicose, A Hora do Pesadelo e vários outros, não de forma pedante, mas como parte da lógica dos personagens. É um terror que conversa com o público como se esperasse que ele tivesse feito o dever de casa.
Essa inteligência tem um limite, porém. Quando o filme se leva a sério demais, especialmente na reta final, perde um pouco do equilíbrio entre o humor e o suspense. O equilíbrio perfeito é mais difícil de manter do que parece, e Pânico oscila.
E as continuações?
Pânico funcionou bem. As continuações, não. Ficaram cada vez mais escrachadas, perdendo justamente o que tornava o original interessante: a tensão real. A partir de Pânico 2, o tom virou paródia sem a âncora de suspense que o primeiro ainda mantinha. O melhor que se pode dizer das sequências é que o original não precisa delas para ser bom.
Pânico está na nossa lista de filmes de terror para o Halloween, ao lado de outros clássicos do gênero.
Nota: 7/10

Desenvolvedor e especialista em SEO, é o fundador do Arte Com Pipoca e um nerd consumidor compulsivo de informação e cultura. Atua na internet desde 2010.
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Ficha técnica

- Título original
- Scream
- Ano
- 1996
- Direção
- Wes Craven
- Roteiro
- Kevin Williamson
- Elenco
- Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Skeet Ulrich, Drew Barrymore, Matthew Lillard
- Gênero
- Terror, Suspense, Slasher
- País
- Estados Unidos
Onde assistir
Curiosidades
- O roteirista Kevin Williamson, que também criou Dawson's Creek, escreveu o roteiro de Pânico em dois dias, após assistir a uma reportagem sobre um assassino em série em Gainesville, na Flórida.
- A abertura com Drew Barrymore foi filmada por último. Wes Craven a escolheu para o papel exatamente porque o público não esperaria que ela morresse logo no começo — ela era conhecida como protagonista de filmes românticos.
- O nome original do assassino nos roteiros era 'The Ghost Face'. A máscara foi encontrada numa casa abandonada durante as filmagens, o que coincidiu com o visual planejado pela equipe de arte.
- O estúdio quase cancelou o projeto por achá-lo 'apelativo demais'. Miramax topou distribuir o filme, que custou cerca de 15 milhões de dólares e arrecadou mais de 170 milhões de dólares nas bilheterias mundiais.
- O título brasileiro 'Pânico' substitui o original 'Scream', que ficou para sempre associado ao Ghostface. No Brasil, 'Scream' era também o nome de um canal de TV a cabo, o que teria gerado confusão.
Fontes: Wikipedia: Pânico (1996), IMDb: Scream (1996), Rotten Tomatoes: Scream
