O som do... Doutor Jivago (1965)
Por Letícia MagalhãesAtualizado em 3 min de leitura
Publicado originalmente em 10 de junho de 2014 no Arte Com Pipoca.
Está com pouco dinheiro para comemorar o Dia dos Namorados? Não sabe ainda o que fazer nesta data com o amor de sua vida? Não quer ver a Copa? Então aqui está a dica: veja um dos filmes mais românticos de todos os tempos, que conta também com um intrincado contexto histórico e uma música capaz de fazer qualquer último romântico verter lágrimas. Serão três horas de muita emoção.
O filme conta a história do médico Yuri Jivago (Omar Sharif), que tem sua vida calma e aristocrática virada de cabeça para baixo durante a Revolução Russa. Não é apenas a perda de sua propriedade na cidade que o desequilibra: conhecer a enfermeira Larissa “Lara” Antipova (Julie Christie) em um centro médico durante a Primeira Guerra Mundial vai mexer com o coração de Yuri que, aliás, é também poeta.
A projeção já começa com belas pinturas de uma Rússia quase poética, e a música “Lara’s Theme”, que depois é repetida à exaustão. Em 1966 à melodia seria agregada a letra, transformando-a em “Somewhere, My Love”, gravada por Connie Francis, Ray Conniff e muitos outros. E, no final, foi a popularidade da música que atraiu multidões para ver o filme, hoje considerado o oitavo de maior bilheteria da história.
O compositor Maurice Jarre ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora por seu trabalho em “Doutor Jivago”. Colaborador constante do diretor David Lean, este seria o segundo de três Oscars, os outros dois também por filmes de Lean: “Lawrence da Arábia” (1962) e “Passagem para a Índia” (1984). Jarre também foi responsável pelas trilhas de “Atração Fatal” (1987), “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989) e “Ghost – Do outro lado da vida” (1990).
Nascido na França em 1924, Maurice Jarre estudava engenharia na Sorbonne quando decidiu largar tudo e ir contra a vontade da família para estudar música. Antes de se tornar compositor no cinema, ele fez várias sinfonias para orquestras e trabalhou com trilhas de documentários. Para compor “Lara’s Theme”, ele foi instruído por David Lean a fazê-lo nas montanhas, durante um passeio romântico. O amor foi a inspiração, e Jarre apenas adicionou algumas balalaikas. Lindo, não?
Apesar do sucesso estrondoso de sua composição, Jarre ficou furioso com a repetição insistente de “Lara’s Theme” durante o filme. De fato, a trilha de “Lawrence da Arábia” é bem mais eclética e moldável que a de “Doutor Jivago”. Mas ele acabou por abraçar a fama e em algumas ocasiões regeu a música para orquestras. Porque, apesar de toda a beleza visual do filme, é a música, e não a imagem, que aqui vale mais que mil palavras.
Compartilhe:
